23 de jul de 2015

Tradições da região estão registradas pelo Iphan

Quando se fala no Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é comum lembrar dos lugares tombados da cidade.
Mas a instituição também faz outros tipos de levantamento e a região da Campanha foi alvo de dois deles, o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) das Lidas Campeiras e do Massacre de Porongos.

A historiadora do Iphan, Beatriz Freire explica que este tipo de levantamento iniciou no ano 2000, a partir de um decreto que o regulamenta. "É uma metodologia de documentação e de produção de conhecimento sobre bens culturais, desenvolvida pelo Iphan, a qual deu início à aplicação da política de salvaguarda do patrimônio imaterial no Brasil", define.

No inventário das Lidas Campeiras, o trabalho aconteceu em Bagé, Aceguá e Hulha Negra, além de Arroio Grande, Herval, Piratini e Pelotas. O estudo começou em 2010 e só foi concluído em 2013. "Este dedicou-se a documentar as chamadas lidas campeiras, isto é, práticas associadas à pecuária, em sete municípios na região da Campanha gaúcha. Práticas como o pastoreio, a feitura de aramados, a doma, a esquila, a feitura de artefatos de couro, a tropeada e as lidas caseiras foram apontadas como referências culturais", detalha.

A realização foi da antropóloga Flávia Rieth e uma equipe da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Beatriz elucida que para um bem cultural ser reconhecido como patrimônio imaterial, isto é, seja registrado, precisa ser bem documentado. Diversos destes reconhecimentos advêm dos inventários, porém, este da lida campeira não gerou nenhum pedido de registro.

Já o estudo sobre o Massacre de Porongos aconteceu em Pinheiro Machado e levou três anos para ser finalizado. Conforme Beatriz, o inventário documentou a memória popular sobre a Guerra dos Farrapos, em especial sobre o episódio do massacre de um pelotão de lanceiros negros, ocorrido em 1844, na zona rural do atual município de Pinheiro Machado, nas imediações do Cerro de Porongos. Também foram documentadas referências aos lanceiros negros nos municípios de Caçapava do Sul, Guaíba, Piratini e Porto Alegre.

Este estudo produtos (livro e filme), foram distribuídos às escolas públicas dos municípios em que a pesquisa foi realizada. Após seu encerramento, lideranças do movimento negro gaúcho solicitaram o tombamento do sítio de Porongos, cujo processo, aberto pelo Iphan, está em fase de conclusão.

Segundo ela, cada um destes inventários leva, no mínimo, um ano e meio de trabalho, dividido em pesquisa e documentação dos bens culturais. O método é pela observação direta, imersão dos pesquisadores no ambiente pesquisado, e contando com a participação de pessoas que integram os grupos sociais detentores dos bens culturais pesquisados. "Por meio da pesquisa são identificadas práticas culturais que têm valor destacado, a ponto de serem consideradas pelos grupos sociais envolvidos como referências para sua identidade e memória, isto é, referências culturais", conclui. Os inventários serão inseridos no site do Iphan para que todos tenham acesso, já que a divulgação dos bens imateriais é um dos objetivos destas pesquisas.

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