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12 de abr. de 2012

Observar e Reagir - S.O.S. Hospital de Pinheiro Machado

Por Vera Oliveira

De quem é o Hospital de Pinheiro Machado? Não é público. Não é, também, uma Empresa do tipo sociedade privada com sócios, acionistas, etc., cujo empreendimento vise, prioritariamente, a obtenção do lucro financeiro. Deveria ser, talvez, uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, mas na realidade não é, pois pelo que se sabe, nunca obteve a certificação de filantropia legalmente exigível, apenas um pálido reconhecimento municipal de que é um ente de interesse público, que pouco efeito prático possui. Então, me parece que é um bem dos cidadãos de Pinheiro Machado, fundado e edificado com o objetivo de servi-los naquilo que se pode chamar a necessidade mais dolorosa e premente de uma comunidade: a saúde pública.

Pois bem, por certo, é público e notório que o hospital de Pinheiro Machado anda mal das pernas, diria, até, em cadeira de rodas, empurrado, principalmente, pela Prefeitura Municipal que lhe alcança uma subvenção social mensal um tanto disfarçada, por conta da utilização do prédio onde funciona o pronto atendimento municipal. E, até onde sei, continuará alcançando esse benefício, por no mínimo mais um ano, por dentro do contrato de terceirização de serviços, via empresa vencedora de recente licitação para prestação de serviços na área da saúde pública municipal.

Segundo consta, o Hospital de Pinheiro Machado tem em torno de 30 funcionários, pouco mais, cujos direitos trabalhistas restam inadimplidos (FGTS, INSS – contribuição patronal, por exemplo) e, por vezes, e não raras, os próprios salários mensais. Sabe-se de demandas trabalhistas e há pouco tempo, até camas hospitalares foram penhoradas por conta dessas litigâncias. Quanto gasta e arrecada o Hospital? - não sabemos, é uma caixa preta. Se fosse publicado um balancete mensal, por exemplo, a população poderia ter um raio x de como funciona a instituição, o que não é de longe uma exigência preciosista, já que recebe repasses de dinheiro público. Acredito que a Prefeitura Municipal tenha essas informações, condição sine qua non para viabilizar semelhantes aportes financeiros.

O Hospital de Pinheiro Machado, se me permitem a franqueza, funciona à meia boca. Imaginem, os senhores, que há recomendação proibitiva à realização de partos em nosso hospital, por conta da falta de equipamentos e equipe médica adequada. Fico impressionada com essa decadência, que depõe, insofismavelmente, contra a minha cidade! Não posso imaginar um lugar civilizado, em pleno século 21, onde nascer, nas circunstâncias acima, seja considerado uma loteria.

Não se melindrem os de agora, essa situação vem assim de muito tempo. E se nada de diferente acontecer o futuro do Hospital de Pinheiro Machado será fechar as portas. E, se fechar, segundo os entendidos, vai ser um parto abrir.

O Hospital de Pinheiro Machado ( único na cidade), é, pois, um bem de interesse público e a população merece vê-lo revitalizado, prestando serviços de qualidade e cumprindo a finalidade para a qual, um dia, foi construído. O direito do cidadão à saúde é um dever do Estado, capitulado na Constituição Federal e os poderes constituídos e os democraticamente organizados têm a obrigação de zelar para que isso aconteça da melhor forma possível.

Dessa forma, o próximo prefeito de Pinheiro Machado (se o atual assim não o fizer) não poderá mais empurrar com a barriga a situação em que se encontra o nosso hospital. Terá de tomar alguma atitude de fundamento e rápido, como, aliás, se espera de homens corajosos e

comprometidos com o bem-estar de seus munícipes e eleitores. Do contrário, corre o risco de engrossar as estatísticas, entrar para a história como o Prefeito em cujo mandato o Hospital fechou.


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21 de jan. de 2012

Observar e Reagir - A Corsan e a falta d’água


Por Vera Oliveira
Hoje, pela manhã, a Corsan anunciou, através do “Bocão,” que haverá falta d’água na cidade e, o que é pior, sem previsão de retorno. Não quero mais ficar falando sobre esse assunto que é de competência exclusiva da Corsan, ou incompetência, melhor dizendo, do jeito como vem sendo conduzido até o momento. A falta d’água, afeta diretamente a população trazendo desdobramentos e conseqüências imprevisíveis, inclusive, comprometendo à saúde e a sobrevivência dos habitantes. É hora, pois, de acionar a defesa civil do município, cuja atuação, tenho certeza, encontrará meios, sobretudo governamentais, capazes de fazer frente a este grave problema que atravessamos, por ora.

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18 de jan. de 2012

Observar e Reagir - Barragem da Corsan


Por Vera Oliveira

Postado, aqui no blog, dia 12 do corrente,fotos da barragem da Corsan, em que aparecem em primeiro plano, dois vereadores mais o chefe da corsan, o cenário é desolador. Assemelha-se, mais, com uma represa do Nordeste, ou, melhor, com os oásis da África, no deserto do Seringuete, onde os animais mitigam a sede e chafurdam na lama.
Dia 14, segundo o blog, a Corsan disponibilizou outras fotos onde o cenário é completamente diferente. Fartura de água. Uma foto em desacordo com a outra. E, de concreto e verdadeiro, até agora, a triste realidade de que em muitas torneiras já não sai mais água. (Ao menos durante as 24 horas do dia)
Bom, imagino que não estejamos vivendo na ilha da fantasia. A realidade é uma só e as autoridades competentes no assunto e responsáveis deveriam ser as primeiras a botar a boca no trombone. Brincar com assunto tão sério, escamotear a verdade não é atitude digna de homens que respeitam seus concidadãos. A população precisa saber a verdade e ser avisada dos cortes.
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Sem contar que estamos às vésperas do maior evento Municipal, a Feovelha...!




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30 de nov. de 2011

Observar e Reagir: Tem um elefante branco no meio do caminho ...



Por Vera Oliveira




Contam que o rei do antigo Sião (atual Tailândia) costumava agraciar determinadas pessoas, em sinal de apreço e deferência, presenteando-as com um elefante branco. Animal sagrado para a cultura daquele povo, o presente era, ao mesmo tempo, uma honraria e um estorvo. Imaginem quão trabalhoso era cuidar de um animal desse porte, que, na prática, não servia para absolutamente nada.
Nossa cultura é bem diferente e não há, por aqui, elefantes brancos, propriamente ditos, razão porque os inventamos, talvez. E, assim, costumamos chamar de elefantes brancos, os prédios públicos inacabados ou mesmo àqueles construídos para abrigar projetos inexeqüíveis ou megalômanos. Esses prédios são muitos, espalhados pelo Brasil afora e nós, aqui em Pinheiro, também temos o nosso. Pelo menos, um. Sabem aquele prédio, perto do trevo de acesso à BR 293, à direita, para quem sai da cidade pela Av. Gervásio Tavares? - Aquele prédio, ao que se sabe, era para ser um depósito de cereais, com instalação de silos para armazenamento de grãos e começou a ser construído no 2° mandato do governo Betiollo, que não terminou as obras, deixando essa tarefa de herança (maldita) para o próximo prefeito. Na ordem, Felipe da Feira e Fernando Leivas, também não concluíram a construção, nem deram destino algum ao tal prédio, que permanece, até o momento, na sua condição elefantérrima.
Em tese, são desconhecidas as razões que motivaram a realização dessa obra,pois, ao que se sabe, ninguém reclamou ou sentiu falta dos serviços que seriam oferecidos à população, caso, consolidado, efetivamente, o empreendimento. Desse modo, a existência dessa construção poderia cair no mais absoluto esquecimento, se não fosse pelo fato da Caixa Econômica Federal reclamar o valor do financiamento. Aproveitando o ensejo, é, no mínimo, estranho que essa mesma Caixa Federal possa vir a financiar outro empreendimento para a Prefeitura Municipal de Pinheiro Machado, tais como, as anunciadas e desejadas obras do calçamento, sem que estejam pagas ou regularizadas as dívidas já existentes. Na prática, regularizar a inadimplência é pré- requisito para novos créditos.
Os prefeitos, aqui citados, cada um no seu tempo e a sua maneira, devem ter explicações para justificar a real situação em que se encontra, atualmente, o prédio em referência. A dívida, porém, é do município de Pinheiro Machado e alguém terá de pagá-la. Por isso é importante que o gestor público tenha os pés no chão. Administre o município com o orçamento na mão e a razão voltada para atender às necessidades mais prementes da população (saúde e educação, em primeiro plano) e, se mesmo assim, vier a ser acometido por algum surto psicótico, delírios fantasiosos de realizar grandes obras, uma visita ao psiquiatra (analista, de preferência) é a providência mais recomendada.
Necessitamos, dentre outras coisas, de um hospital que funcione, de rede de esgotos, do próprio calçamento, que é uma necessidade urgente da população das vilas e de uma secretaria de cultura, que resgate nossa história e devolva à população a auto-estima perdida.
Enquanto isso e em compensação, temos um elefante branco, pelo menos, um.

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18 de nov. de 2011

Observar e Reagir: Fertilidade premiada


Por Vera Oliveira



Tenho um amigo, ex colega de trabalho, que diante de calamidades e tragédias, naturais ou provocadas pelo homem, costuma dizer que tem gente demais no mundo.
Eu não sei se tem gente demais no mundo, a despeito de ainda existir pessoas reproduzindo-se feito coelho, sem auferirem, no entanto, renda suficiente para proverem o próprio sustento, quanto mais às necessidades de uma criança. Economizo adjetivos, com vergonha de verbalizar as coisas feias que penso sobre quem bota filho no mundo pra passar trabalho.
O resultado dessa fertilidade toda é o aumento desordenado da população com a conseqüente proliferação da pobreza e da ignorância, determinando,ano após ano, a criação de novos programas governamentais com o propósito de atenuar a fome e promover o acesso dessa população aos serviços públicos sociais (saúde, educação,por exemplo). Dentre esses programas, um dos mais conhecidos é o bolsa família, que faz parte do chamado plano“Brasil sem Miséria”, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome(MDS) e que tem como objetivos, dentre outros, além da transferência direta de renda, criar condições para a emancipação sustentada dos grupos familiares que contempla. Deve ter, portanto, caráter temporário e emergencial.
Pois bem, segundo noticiado, o governo federal deu um plus no bolsa família, aumentando o número de benefícios variáveis por família, que agora contempla até o limite de 5(cinco) filhos menores de 15(quinze) anos (antes era até 3(três) filhos) e criou, ainda, um abono extra para as mulheres grávidas e lactantes atendidas pelo programa. Está previsto, ainda, o chamado “retorno garantido” para as famílias que abandonaram o programa por auferirem renda acima do permitido, caso retornem à condição de pobreza. Ao remunerar as famílias pelo número de filhos o programa bolsa família incentiva o aumento da natalidade, contrariando, desse modo, o seu objetivo principal de erradicar a pobreza ou atenuá-la, de forma que a vulnerabilidade social atinja o menor número de indivíduos. O direito do cidadão à assistência social está garantido pela Constituição Federal, e deve incluir, além do socorro emergencial e temporário, o acesso aos programas sociais, concomitante com o aprendizado e/ou aprimoramento profissional, de tal sorte, que ao invés de receber o pescado, já morto e congelado, o cidadão aprenda a enfiar o anzol e pescar o próprio peixe. Dentro desse contexto, não se concebe um programa governamental de assistência às famílias necessitadas, com inclusão social e erradicação da pobreza, sem criar regras e incentivos que contemple e premie o planejamento familiar e a paternidade consciente.
A não ser que os objetivos sejam outros...



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13 de set. de 2011

Observar e Reagir: Na terra da ovelha

Por Vera Oliveira

Tenho carteira de artesão. Mexo com fios, de todas as fibras e texturas e, no frio preto das Cacimbinhas, também conhecida por “Terra da Ovelha”, a lã é matéria prima indispensável. Pois bem, tenho acompanhado notícias que nos dão conta de que o governo municipal em parceria com o Estadual está desenvolvendo programas e atividades no sentido de revitalizar à ovinocultura local.

Acho mesmo que alguma coisa deve ser feita, e cito, dois exemplos, onde, imagino, a produção ovina (carne e lã) pode ser melhor trabalhada. Vejamos: na Feovelha, deste ano, há poucos metros de onde o Governador do Estado, sua comitiva, convidados, mais as autoridades locais (públicas e privadas), engraxavam os bigodes em um suculento churrasco de ovelha (vide fotos no site do sindicato rural), no pavilhão do artesanato, expositores lamentavam não poder fazer o mesmo pela absoluta falta do produto, pela inexistência, na feira, de um ponto de comercialização de carne de ovelha. Acrescentaram, ainda, que poucos estabelecimentos gastronômicos serviam pratos utilizando a cobiçada iguaria. Comprovei, mais tarde, enquanto aguardava o início da Comparsa, a veracidade do que falaram, ao degustar um churrasquinho de porco, na falta do enfiadinho no palito de carne de ovelha.

Imaginem, os senhores, uma festa, onde a iguaria singular, o prato principal não esteja disponível para todos os convidados que, por gosto e vontade, assim desejem consumi-lo. Imaginem a festa da melancia sem melancia, a Fenadoce sem doce! Sugiro, aos organizadores do evento, que incluam na gastronomia da festa, o uso obrigatório de carne de ovelha por todos os estabelecimentos conveniados, senão de forma exclusiva, ao menos como opção de cardápio, contemplando, dessa forma, todos os gostos e bolsos. Do contrário, a palavra festa pode, até, ser retirada do nome, deixando, apenas, feira, por suficiente, para contemplar a dimensão do evento.

Outra situação merece reparo: No CRAS (Centro de Referência em Assistência Social), de Pinheiro Machado, fabrica-se acolchoados de pano, usando roupas velhas doadas pela comunidade. Tudo bem, quebra o galho, mas não dá pra comparar um acolchoado de trapos com um feito de lã. Nos rigores do inverno, quem tem, sabe a diferença e, não vejo motivação maior para qualquer pessoa realizar um trabalho do que a perspectiva de suprir a própria necessidade. 

Por fim, convém lembrar de um conhecido político da história recente deste país, que, nos primórdios de sua carreira, propugnava pela presença de “arroz, feijão e bife na mesa do trabalhadô.” Esse homem foi longe, aprimorando seu discurso, de forma a contemplar até os que comem caviar. Deixou-nos, de exemplo, entre outros, a certeza de que devemos perseverar em nossos intentos. Na vida pública, assim como na privada, vencem os que agradam a maioria. 

Que na próxima edição de nosso principal evento, esse bife dos sonhos esteja presente e seja de carne de ovelha!


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14 de ago. de 2011

Observar e Reagir: Doces lembranças

Por Vera Oliveira

Tínhamos um Ford, modelo A, preto, quatro portas, que meu pai dirigia com cautela e atenção pra não deixar apagar, sobretudo nas subidas. Era nele que íamos a cidade. Cabia toda a família, que beleza! Num dia qualquer, o motor apresentou problemas e não teve jeito, precisou ficar na oficina para concerto. Nesse período, deixamos de ir a cidade, exceto meu pai, que uma ou duas vezes por mês, imagino, ia, à cavalo, comprar as precisões mais urgentes. 

Acho que eu devia ter, nessa época, uns seis ou sete anos, não mais, e lembro que entrava em pânico na véspera dessas idas de meu pai à vila. Achava, tais viagens, uma aventura, coisas horríveis poderiam acontecer com meu pai no trajeto e temia que ele não voltasse. Nesses dias, passava aérea, encafifada e só arriscava um desabafo com minhas bruxas de pano. 

No fim do dia, arrumava meu banquinho num lugar estratégico e, olhos fixos na estrada, ficava ali até contemplar a primeira visão de meu pai. Então, tão logo avaliasse que estava ao meu alcance, corria ao seu encontro. Montava junto com ele e, em silêncio, voltávamos pra casa. Na chegada, a recompensa: o sortido de balas e o embrulho de tijolinhos mariolas. 

Alguns anos depois, meu pai abandonou sua quinta de pessegueiros, seu bosque de eucaliptos e tudo o mais que construiu com seus braços e era o seu mundo e veio morar na cidade para os filhos estudarem. Abriu um pequeno comércio e como sempre fizera até então, trabalhou duro pra ganhar a vida e sustentar a família. Vale lembrar, que, naqueles tempos, os casais não se separavam por ninharia, de tal sorte que poucas crianças cresciam sem pai. 

Neste domingo, é dia dos pais. A saudade alcança meu velho e me vejo outra vez junto a ele, despacito, chegando à casa da minha infância. Na memória da boca o doce das mariolas. Ofereço, estas lembranças, aos verdadeiros pais, sejam eles biológicos ou não, excluindo, dessa condição, os que apenas transmitem os genes, sem se envolverem com a criação dos filhos, quando muito, alcançando algum recurso financeiro, determinado, ou não, pela pensão judicial. 

Estes, têm muito que aprender; estes, não sabem, ainda, o que é ser Pai.

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20 de jul. de 2011

Observar e Reagir: Dia do amigo

Por Vera Oliveira

O tempo, esse algoz virtual que se materializa em decorrência de nossa condição transitória, não passa, nós é que passamos. E assim, na condição temporal de passageiros, precisamos marcar o tempo. Contamos histórias, celebramos datas. Tem dia para tudo e todos. Datas históricas, comemorativas, mercadológicas e, sobretudo, afetivas.

Hoje, 20 de julho é o dia do amigo. Há um número considerável de definições para a palavra amigo, mas cada um de nós tem a própria. Por mais desafortunados que sejamos, em algum momento da existência, já experimentamos a sensação indescritível de ter um amigo. Nem uma palavra, nem mesmo um tratado, pode alcançar o significado, o benefício da verdadeira amizade.

Por isso, se você tem um amigo, cuide dele, preserve-o. Os amigos não nos desejam o mal nunca, mas, nem sempre, estão disponíveis ao nosso bel prazer. De repente, não somos mais confiáveis, tropeçamos nas palavras e atitudes e afastamos os amigos. Uma amizade perdida leva tempo pra recuperar, uma eternidade, talvez. Que desperdício!

Conselho de amigo: Se você tem um amigo, ótimo, mas se tiver muitos, abra o olho; não confunda companheiro com amigo. Vide o exemplo de alguns políticos (infelizmente a maioria): antes das eleições, união, afagos, promessas de amor eterno. Depois...

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24 de mai. de 2011

Observar e Reagir: SOS educação


Por Vera Oliveira

Dia desses, ouvi o Ministro da Educação, Fernando Haddad, dizer que nos últimos 20 anos o Brasil negligenciou a educação. Equivale a dizer que os dois últimos governos do período pós-ditadura, Lula e Fernando Henrique, não deram à educação a importância devida. E deveriam. 

Fernando Henrique por ser um homem das letras, professor emérito da Universidade de São Paulo, conferencista, com passagem pelo exterior, onde lecionou em Paris, o que não é pouca coisa para um brasileiro e Lula por ser o homem do “nunca antes na história deste país”. Sabemos, mas não é demasiado repetir, que só através da educação podemos evoluir e prosperar. E não se aprende de uma hora para outra. Leva tempo, por isso tem que começar desde cedo com as crianças. 

Só pra lembrar também, que a educação infantil vai muito além de fazer continhas e aprender a ler; conhecer a história oficial, cheia de dedos; a geografia exuberante deste país continente e copiar da internet o trabalho de pesquisa exigido pelo conteúdo curricular. Educar tem que ser muito mais do que isso. Significa formar cidadãos. Educar é dar exemplos e bons exemplos, educar é se importar. E aonde a gente pratica tudo isso? Na escola. Daí a importância da escola e dos professores, é claro. 

Pois bem, vira e mexe a gente escuta histórias escabrosas envolvendo escolas, professores e alunos. Relatos de crianças armadas em sala de aula, portando drogas e até fazendo sexo nas dependências de escolas. O SBT Repórter da semana passada abordou esse assunto. E eu que sempre estudei em escola pública, jamais poderia imaginar, que um dia, essas coisas pudessem acontecer dentro de uma escola ou no entorno dela sem que nenhuma autoridade, ou parte envolvida, tomasse uma atitude. 

Sou do tempo em que havia disciplina nas escolas. Aluno usava uniforme. Na semana da pátria, guardava, no palanque da praça, o pavilhão nacional e marchava garboso no 7 de Setembro. Estudei Filosofia no 1° grau da Escola normal em Pinheiro Machado (Filosofia deveria ser cadeira obrigatória, mesmo no ensino fundamental, se é que se pretende ensinar a pensar e desenvolver o raciocínio crítico). Sou de um tempo remoto, onde, de um modo geral, professor se importava com aluno e aluno respeitava professor. Sou desse tempo, Ministro.

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14 de fev. de 2011

Sobre a postagem "Cães e vira-latas"

Nesta segunda-feira, a colaboradora do blog Vera Oliveira encaminhou novo texto a este veículo, falando sobre a postagem de sua autoria, denominada "Cães e vira-latas", que gerou uma certa polêmica aqui no blog.

Segue o texto abaixo:

"Referindo-me às postagens sobre a coluna 'Cães e vira-latas', como bem apanhou a Cybele, abrindo os comentários da série, o texto tem caráter realista. Não há, no entanto, em todo o seu conteúdo, uma única palavra de melindre ou desrespeito àqueles, que dedicam o melhor de seu tempo, no convívio e em prol da defesa dos animais. Entretanto, duas pessoas, ao que me lembre,contestaram o título da matéria por não compreenderem o seu significado, e, uma, ao menos, achou a colocação preconceituosa de minha parte, na medida em que, no entendimento dela, eu separava os cães por pedigree. E, por analogia, deduziu, do mais alto trono da sua sapiência, que talvez o título sugerisse uma volta aos tempos primitivos, nos quais as pessoas eram separadas por condição financeira, raça e/ou cor de pele. 

Pois bem, baseado na obra literária “Vira-Latas, os verdadeiros cães de raça”, o filme homônimo, gravado no Brasil, aborda com maestria o tema em referência, e, te peço permissão para divulgar o que diz a sinopse: 'Este filme não fala apenas dos cães em si, mas principalmente do termo “vira-latas”, onde, neste contexto, discute questões relacionadas à responsabilidade social, educação e empreendedorismo. Um filme para toda a família.'

E prossegue: 'Educar as pessoas quanto ao significado do ser um vira-latas. O que é isto? Termo que vem do ditado popular, do folclore, que define de forma muito singular a situação dos animais de rua. Os cães vira-latas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, muitas vezes têm raças. Ser um vira-lata, portanto, é um estado social, significa estar abandonado, estar vivendo nas ruas, seja um animal de raça ou não. 

A partir disso entendemos que o significado de ser um vira-lata, pode se estender numa relação com o homem: abandonado, que sofre de preconceitos, que é fruto da miscigenação de raças/cultura, e que muitas vezes é obrigado a lutar pela sua própria sobrevivência. Isso é um vira-lata e essa é a temática do filme. 

Quando entendemos que todos vivemos num mesmo ambiente e que tudo que acontece a nossa volta é fruto do que fazemos nele ou por ele, entendemos que somos responsáveis pelo meio em que vivemos, e que, mesmo não sendo um amante de cães, este assunto precisa ser debatido pela comunidade. 

Utilizamos da situação do cão vira-lata, em analogia, para estudar simultaneamente a situação de nós seres humanos, neste mundo cada dia mais vira-lata'."

Vera Oliveira

11 de fev. de 2011

Observar e Reagir: Cães e vira-latas

Por Vera Oliveira

Cães soltos na rua constituem um problema de saúde pública, agravado, todo dia, em razão de que esses animais acasalam livremente, reproduzindo-se de forma descontrolada. Pois bem, se é um problema de saúde pública, quem, a princípio, deve tomar a iniciativa para resolvê-lo é o poder público. Mas não é tão simples assim.

Se fosse, de há muito, já teria sido resolvido, em governos anteriores, inclusive, pois vira e mexe, tem, sempre, alguém reclamando dos cães abandonados nas ruas e das conseqüências desagradáveis que esse costume ocasiona; e de outro lado, em contraponto, há os que simplesmente defendem os animais, insurgindo-se contra esse descaso social, sublimado, em inúmeros casos, pela prática de maus tratos. 

Nada disso é novo em nossa cidade. Criar animais soltos na rua é uma prática usual, vinculada à cultura e a educação do povo. Eis, portanto, a dificuldade. E para que o município possa agir, necessita de autorização, dispositivos legais que lhe autorize, por exemplo, recolher os cães soltos na rua e proceder à devida castração. Imaginem fazer isso à revelia. Não vai faltar quem discorde, sem contar, que o dono do cão abandonado pode aparecer, de repente, cobrando o procedimento não autorizado. Afinal, cachorros não são que nem cavalos de rodeio, que apanham sem finalidade outra que não seja a simples patacoada e o entretenimento popular, sem que ninguém reclame ou proteste, ao contrário, batemos palmas. 

De tal sorte, que a responsabilidade é de todos e a solução deve ser buscada através de parcerias entre a sociedade organizada e o poder constituído, como, de resto, já existem em outros municípios. 

Particularmente, não tenho nenhum animal de estimação. Não é que não goste. Mas, na falta de um tempo maior, prefiro interagir com os da minha própria espécie. Criar um cão, por exemplo, dá muito trabalho: além de alimentá-lo, obviamente, de tempos em tempos, temos de levá-lo ao veterinário; vacinas, desverminar, essas coisas. 

Cuidar da higiene e das pulgas!... (95% de todas as pulgas do planeta concentram-se em cães e gatos!) e, muito importante, tem que passear com o bichinho!... e, ao invés de levá-lo pra fazer cocô na praça, carregar uma pazinha com uma sacola pra recolher a “obra” é uma medida aconselhável e civilizada.

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12 de jan. de 2011

Observar e Reagir: Uma visita


Por Vera Oliveira

Caminho, por entre,
os inúmeros corredores
de apartamentos populares;
ouço, apenas, o barulho de meus passos
deslocando a brita miúda sobre o chão.

Chego, por fim, onde estás.
Estás?...
Fixo-me no teu semblante distraído,
de sempre.
Desculpa vir sem avisar.
Prometo demorar pouco.
Estes meus olhos...


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3 de jan. de 2011

Observar e Reagir: Flor de Hibisco

Por Vera Oliveira

Hibiscos são arbustos lenhosos que, em condições climáticas adequadas, produzem flores o ano inteiro. Originários da China são muito apreciados pela beleza e o colorido variado de suas fores, que vão desde o branco até o vermelho, passando pelo rosa, amarelo e laranja. Crescem rapidamente e podem ser usados como cerca viva. É comum vê-los enfeitando jardins, praças e vias públicas. 

Na praia do Cassino, por exemplo, florescem com rara beleza, compreendendo-se, esse viço, pelas aptidões genéticas da planta, que aprecia solos úmidos e arenosos, combinados às altas temperaturas. 

Aqui, em Pinheiro Machado, alguns guapos espécimes florescem, quando o sol de novembro se consolida. Explica-se, o hibisco detesta o frio rigoroso, característico de nosso inverno. Suas folhas, que não são caducas, caem, mesmo assim, nessa estação, queimadas pela geada e, do verde e das flores que exibiram em portentoso regalo, restam, apenas, galhos desnudos aos céus, como braços erguidos pedindo socorro. 

Mas, quem dá a vida, dá o destino. Alguns sobrevivem às condições adversas e, quando o sol da primavera aquece o ventre da terra, eles brotam outra vez, revestem- se de verde e produzem, novamente, flores em profusão. 

Acontece, também, com as pessoas situações semelhante. 
Nem todos nós nascemos no melhor lugar; adequado as nossas características e limitações. Tão pouco o nosso trabalho é sempre reconhecido e valorizado. E não obstante, somos, ainda, inúmeras vezes, tolhidos pelas dificuldades advindas do poder (econômico, financeiro e/ ou institucional), os quais, por seus efeitos devastadores, se assemelham, mal comparando, às geadas do mês de agosto. 

No entanto, tão logo as condições sejam favoráveis, podemos prosperar. Importante continuar trabalhando com inquebrantável firmeza, esperando por dias melhores, pelo sol da primavera que há de vir. Seguindo o exemplo dos hibiscos da minha terra. 

Ao ensejo, desejo a todos, que na estação boa do Ano Novo, os sonhos represados, pelo menos um (quem sabe alguns), floresçam e frutifiquem, de tal sorte, que estejamos guapos para enfrentar os rigores do inverno.  

Feliz 2011!

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