Pois bem, por certo, é público e notório que o hospital de Pinheiro Machado anda mal das pernas, diria, até, em cadeira de rodas, empurrado, principalmente, pela Prefeitura Municipal que lhe alcança uma subvenção social mensal um tanto disfarçada, por conta da utilização do prédio onde funciona o pronto atendimento municipal. E, até onde sei, continuará alcançando esse benefício, por no mínimo mais um ano, por dentro do contrato de terceirização de serviços, via empresa vencedora de recente licitação para prestação de serviços na área da saúde pública municipal.
Segundo consta, o Hospital de Pinheiro Machado tem em torno de 30 funcionários, pouco mais, cujos direitos trabalhistas restam inadimplidos (FGTS, INSS – contribuição patronal, por exemplo) e, por vezes, e não raras, os próprios salários mensais. Sabe-se de demandas trabalhistas e há pouco tempo, até camas hospitalares foram penhoradas por conta dessas litigâncias. Quanto gasta e arrecada o Hospital? - não sabemos, é uma caixa preta. Se fosse publicado um balancete mensal, por exemplo, a população poderia ter um raio x de como funciona a instituição, o que não é de longe uma exigência preciosista, já que recebe repasses de dinheiro público. Acredito que a Prefeitura Municipal tenha essas informações, condição sine qua non para viabilizar semelhantes aportes financeiros.
O Hospital de Pinheiro Machado, se me permitem a franqueza, funciona à meia boca. Imaginem, os senhores, que há recomendação proibitiva à realização de partos em nosso hospital, por conta da falta de equipamentos e equipe médica adequada. Fico impressionada com essa decadência, que depõe, insofismavelmente, contra a minha cidade! Não posso imaginar um lugar civilizado, em pleno século 21, onde nascer, nas circunstâncias acima, seja considerado uma loteria.
Não se melindrem os de agora, essa situação vem assim de muito tempo. E se nada de diferente acontecer o futuro do Hospital de Pinheiro Machado será fechar as portas. E, se fechar, segundo os entendidos, vai ser um parto abrir.
O Hospital de Pinheiro Machado ( único na cidade), é, pois, um bem de interesse público e a população merece vê-lo revitalizado, prestando serviços de qualidade e cumprindo a finalidade para a qual, um dia, foi construído. O direito do cidadão à saúde é um dever do Estado, capitulado na Constituição Federal e os poderes constituídos e os democraticamente organizados têm a obrigação de zelar para que isso aconteça da melhor forma possível.
Dessa forma, o próximo prefeito de Pinheiro Machado (se o atual assim não o fizer) não poderá mais empurrar com a barriga a situação em que se encontra o nosso hospital. Terá de tomar alguma atitude de fundamento e rápido, como, aliás, se espera de homens corajosos e
comprometidos com o bem-estar de seus munícipes e eleitores. Do contrário, corre o risco de engrossar as estatísticas, entrar para a história como o Prefeito em cujo mandato o Hospital fechou.
