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16 de set. de 2011

Coluna de Quinta: Quando um número bastava

Por Vinícius Peraça

Houve um tempo – e não faz muito – em que o futebol não era tão burocrático quanto hoje. Um tempo em que as coisas eram claras e simples. Nada de grandes teses, teóricos engravatados e atletas balaqueiros rodeados de agentes e assessores. O jogo de bola era mais simples e, portanto, mais atrativo e apaixonante. 

Digo isso baseado em algumas observações sobre o atual ambiente futebolístico. Entrevistas, por exemplo. Tente assistir a um destes programas de TV que fazem um balanço após uma rodada de jogos e vai ter a prova de que, sim, existe algo mais repetitivo do que os roteiros de novelas das oito.

Técnico do time perdedor: - Não gosto nem quero falar de arbitragem, mas fomos prejudicados com um lance de pênalti claro a nosso favor no primeiro tempo que não foi marcado!
Autor do gol da vitória: - Sabíamos da dificuldade que iríamos encontrar, mas graças a Deus conseguimos fazer um bom jogo e conquistar os três pontos. 
E por aí vai.

Mas nada resume tão bem o quão chato vem se tornando o futebol quanto as novas teorias que aparecem. Tal qual coleções de roupas, entram na moda, permanecem por um tempo e depois são superadas por outras tão esdrúxulas quanto a anterior. Tempos atrás chegou-se ao absurdo de circular entre técnicos e comentaristas a ideia de que um bom atacante não precisaria fazer gols. Bastaria “prender os zagueiros”. Se é para prender alguém, que se contrate um policial, oras! Atacante tem é que fazer gol. De barriga estilo Renato Gaúcho ou de bunda como o Muller, pouco importa. Como diria Dadá, “feio é não fazer gol”.

Nesse mesmo sentido da reinvenção do ludopédio, agora é consenso que cada jogador do time precisa ter numeração fixa. Se a intenção é criar uma identificação para a torcida, tudo bem. Mas o tiro está saindo pela culatra. A maioria das equipes entra em campo com uniformes padrão futebol americano. 27, 56, 32, 45... A escalação mais parece um sorteio da Tele Sena. Só falta o finado Lombardi! 

Quem consegue saber a posição em que joga um sujeito que leva às costas o número 45?! Houve um tempo em que um boleiro era definido com um número. Você chegava no estádio, via um jogador aquecendo e perguntava ao vizinho na arquibancada: 
- Quem é aquele ali com a bola? 
- É o Valdir. 
- Não conheço. Joga de quê? 
- É um oito. 

Pronto, tudo estava explicado. Ninguém precisava ficar dizer que o Valdir era um segundo volante canhoto que veio do Noroeste, tinha um bom desarme e marcava em média 0,23 gols por partida. Era desnecessário. Todo mundo sabia o que um oito fazia. 

O mesmo valia para o sete, o dez, o nove. Quando um guri chegava para treinar pela primeira vez em um clube, bastava o técnico estabelecer o número da camisa e o candidato a craque já sabia o que precisava fazer. Hoje tudo gira em torno de palestras, apresentações em powerpoint com disposição tática, vídeos motivacionais. Um grande embuste! 

Houve um tempo em que o futebol era divertido, excitante. Feito para ser jogado por todos. Agora não. Grandes sabichões estão transformando tudo isso em teses quilométricas e conceitos que mais parecem as maçantes e inúteis (?) equações do tempo de escola. Bem diferente do tempo em que números comuns, de um a onze, bastavam para fazer a alegria da gurizada.


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31 de mar. de 2011

Coluna de Quinta: O negócio é complicar

Por Vinícius Peraça

Lendo alguns posts e comentários aqui no blog, fico impressionado com a capacidade que algumas pessoas têm de encontrar defeito em tudo. Ou é gente que critica até a si mesmo diante do espelho ou é pelo simples prazer de encher o saco. 

Outro dia, por exemplo, foi noticiado que a UFPel instalou um núcleo de Geologia em Pinheiro. Não vou entrar no mérito se essa é mesmo a melhor opção para um curso superior na cidade, mas o fato é que se trata de uma alternativa. Pois daí a primeira coisa foi criticar. Quantidade de alunos e a existência de apenas um curso foram questionadas. Até um suposto conteúdo ideológico foi alvo de (absurda) reclamação prévia.  

Isso sem contar as infelizes declarações contrárias à chegada de “forasteiros” na cidade. Em que tempo vive essa gente que escreve essas besteiras? No faroeste? 

Qualquer cidade, especialmente do interior, quer abrigar uma instituição de ensino superior. Se por enquanto é apenas um curso, que se incentive o desenvolvimento e estabeleça demanda para que outros venham a se instalar. Queriam o quê? Que numa cidade com menos de 15 mil habitantes se consolide de uma só vez uma universidade com 10 ou 20 cursos? 

E outra: com essa mentalidade contrária às pessoas que não são nativas, fica difícil. Todo lugar que pretende evoluir investe em formação e atração de pessoas, afinal é assim que a cidade e a economia crescem. Se as oportunidades existem e os “forasteiros” estão ocupando, é sinal que tem gente da terra perdendo tempo chorando as pitangas ao invés de levantar da cadeira e buscar qualificação. 

Porém, se uma universidade federal, pensamentos diferentes e novos moradores incomodam tanto, é melhor então colocar uma porteira nos trevos de acesso à cidade e torna-la autossuficiente. Ninguém entra, ninguém sai. Vejamos, então, o que vai ser da isolada República Pinheirense...

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30 de dez. de 2010

Coluna de Quinta: Por que não distribuir presentes agora?


Por Vinícius Peraça

Exercício de volta no tempo. Alguém lembra o que acontecia em alguns bairros de Pinheiro Machado entre setembro e outubro de 2008, especialmente nas noites destes dois meses? Aos mais desligados, relembremos: alguns papais-noéis fora de época distribuíam presentes como cestas básicas e carne às pessoas necessitadas. Quanta bondade, não é mesmo!? Que almas iluminadas, preocupadas com o bem estar alheio. Tanto que alguns foram recompensados por isso dias depois. 

Agora, vamos puxar pela memória mais um pouco. Alguém tem notícia de que estes mesmos cidadãos tenham voltado a estes lugares desde então com generosidade parecida com a apresentada naquele período? 

É curioso, porque alguns daqueles papais-noéis hoje estão em situação melhor do que viviam à época. Digamos que contam com um saco mais recheado ao final de cada mês. Portanto, em condições de continuarem ajudando. 

Mas, bem, quem sou eu pra cobrar algo de pessoas tão caridosas. Até porque tenho certeza de que daqui a algum tempo, sei lá, em setembro ou outubro de 2012, os ajudantes do bom velhinho vão voltar a estes bairros e distribuir mais um pouquinho da sua bondade. Sem interesse algum, vale ressaltar. Apenas pelo simples prazer de presentear.

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7 de out. de 2010

Coluna de Quinta: Prefeitos, estes chorões

Por Vinícius Peraça

Caso você não saiba, este 7 de outubro foi dedicado aos mandachuvas das cidades. Foi o Dia do Prefeito. Pelo menos foi o que me disseram hoje cedo e, convenhamos, se existe uma data comemorativa dedicada aos “empregados de edifícios de São Paulo” (sério, é 12 de fevereiro!), nada mais justo que os prefeitos também sejam lembrados.

Daí quando ouvi isso, logo pensei que motivos nós, cidadãos comuns e que elegem estes abnegados, teríamos para celebrar esta data. Até que uma notícia vinda de Brasília me deu a resposta: nenhum motivo para comemorar. E sabe porquê? Porque a maioria dos ocupadíssimos senhores que passam dias e dias sentados em suas confortáveis cadeiras assinando papéis e reunindo com secretários não se prestou a elaborar projetos de combate às drogas nos seus municípios.

Deu na TV. O Governo Federal com R$ 420 milhões à disposição das prefeituras para o combate ao crack e pingou até agora um ou outro projeto em Brasília propondo iniciativas para acabar com este problema nas cidades. Ou seja, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas com os cofres abarrotados de grana esperando por boas propostas dos prefeitos e... nada!

Peraí, tchê! Estamos sempre vendo os prefeitos choramingando que não há dinheiro em caixa, que não se faz isso ou aquilo por aperto no orçamento quando, pelo visto, o que falta é competência (ou vontade) para fazer bons projetos. E não é só neste caso do combate ao crack. A maioria das prefeituras não se presta a fazer, ou contratar um profissional que faça, um único projeto capaz de abocanhar o dinheiro que está sobrando no Governo. E, acreditem, há dinheiro de sobra para boas propostas das cidades em todas as áreas. Ah, se há!

Ou seja, se existe o Dia do Prefeito ou não, pouco me importa. O que eu e todos os cidadãos queremos é que as coisas funcionem nas cidades e que as soluções apareçam. Chega de tapar um buraco aqui, colocar um meio-fio ali e achar que isso é uma grande coisa. As soluções para os grandes problemas existem e só dependem de capacidade e trabalho.

Por ora, prefiro parabenizar apenas os bravos asfaltadores pelo seu dia, comemorado nesta sexta, dia 8. Estes profissionais, pelo que sei, trabalham com o que tem e não ficam chorando as pitangas...

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19 de ago. de 2010

Coluna de Quinta: Grande, graças ao inconformismo e à humildade

Por Vinícius Peraça

Os dois títulos da Libertadores da América conquistados pelo Internacional têm nome e sobrenome. Não, engana-se quem pensa em Fernando Carvalho. As conquistas que fizeram do Colorado um dos clubes de mais sucesso do país nos últimos anos – junto com o São Paulo – podem ser creditadas ao Inconformismo e ao resgate da Humildade.

Somente um clube insatisfeito com a condição de segunda força estadual poderia dar o salto que o Inter deu nesta última década. Após amargar insucessos nos anos 80 e 90 e, principalmente, ter que assistir Grêmio conquistar seus maiores títulos da história, não havia outra alternativa aos colorados: era preciso transformar as “cornetas” do rival em combustível para um renascimento. O que deu resultados.

Foto: Diego Vara/ClicRBS

Ao invés de se considerar eternamente como um dos grandes do Brasil, mas sem ampliar a coleção de troféus na galeria – posição atual do Atlético-MG –, o Inter dos anos 90 deu lugar a um sentimento de resgate. E que começou exatamente por enxergar na retomada da hegemonia local o ponto de partida. “Precisamos voltar a vencer o Grêmio”, diziam os dirigentes lá no começo dos anos 2000. E venceram muitas vezes. Não apenas em campo, mas sobretudo fora dele. Gravaram na taça mais cobiçada das Américas o nome do Inter e igualaram a façanha de conquistar um campeonato mundial.

Aí, aparece o sobrenome deste segundo título da Libertadores: a humildade. Com a soberba de quem não precisava de mais na história após vencer o Barcelona, o Internacional parecia não se interessar pelos campeonatos que se seguiram. “Sou campeão do mundo”, diziam todos, de torcedores a dirigente. O time podia estar no pior momento, perdendo até para clubes do interior gaúcho, que o gravador vermelho não se cansava de repetir: “Sou campeão do mundo”.

Esta taça entregue ontem por Pelé ao capitão Bolívar só veio porque houve um momento de consciência dentro do Internacional. Mais do que conquistar a América e o Mundo uma vez, seria preciso manter-se no topo. Provar que aquilo não havia sido um fenômeno passageiro. Humildade. Para enxergar que até os maiores se apequenam quando deitam sobre o passado como prova de sua grandeza. O exemplo está logo ali, na Azenha, lembrando disso a cada dia.

Parabéns aos colorados. O futuro desta nação que sonhou com estes títulos durante anos parece ainda mais brilhante. Hoje. Basta que as lições aprendidas com o sucesso – tão importantes quanto aquelas do fracasso – estejam sempre tão vivas na memória quanto os gols de Gabiru ou Giuliano.

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22 de jul. de 2010

Coluna de Quinta: Seleção deveria apostar em estrangeiro


Por Vinícius Peraça

Às vésperas do anúncio do novo técnico da seleção brasileira, responda rápido: quem joga o melhor futebol do mundo no momento? Barbada! A maioria deve ter pensado na Espanha. E o que levou a essa resposta certamente é a qualidade que a seleção europeia mostra no toque de bola e na capacidade ofensiva. Curiosamente, duas qualidades que sempre estiveram associadas ao Brasil.

Pois hoje os papeis se inverteram não apenas entre a principal seleção europeia do momento e o time da CBF. Nos campeonatos nacionais também há essa mudança de valores. Enquanto o Brasil é dominado por times que privilegiam a marcação e a disposição de seus “guerreiros”, nas maiores ligas da Europa o que se vê são equipes trocando passes e investindo no drible, na jogada bonita.

Além disso, a moda em nossos clubes e na seleção brasileira são formações com poucos atacantes e muitos volantes. Fala-se bastante nos tais “homens que chegam de trás”. Enganação! Os times estão lotados de volantes que chegam por trás, nas pernas dos habilidosos que tentam fazer algo diferente. Nos campeonatos europeus muitos times – talvez a maioria – jogam com três atacantes e até dois meias. No Brasil, falar em três jogadores de frente é praticamente uma heresia.

E a culpa dessa perda de identidade do futebol brasileiro é de quem?! Simples: dos treinadores. Enquanto na Europa os profissionais aprenderam o melhor do futebol bonito, “à brasileira”, importando jogadores, aqui se fez o caminho inverso. Há alguns anos os técnicos usam como padrão um estilo burocrático, de faltas, baseado nas jogadas de bola parada. E quando são questionados, apontam como uma tendência do futebol mundial, inclusive citando a Europa.

Portanto, se a seleção da CBF pretende voltar a ter a marca que sempre vendeu o futebol brasileiro para o mundo, da beleza e da criatividade, uma boa alternativa seria importar um profissional da Europa. Se por aqui os técnicos parecem ter abandonado a característica histórica do nosso futebol, talvez alguém que a tenha aprendido possa ajudar o Brasil a recuperar isso, dando exemplo inclusive para os clubes.

Mas isso certamente não passa pela cabeça de quem decide.

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1 de jul. de 2010

Coluna de Quinta: Dunga, a besta que pode virar bestial


Por Vinícius Peraça

A Copa do Mundo da África, independentemente do resultado que o Brasil tenha, já possui uma marca que dificilmente será esquecida. A dificuldade em se encontrar assunto relacionado ao futebol puro, isto é, àquele que acontece dentro de campo. Tudo virou notícia até aqui nessa edição da Copa, menos os gols bonitos, as pisadas na bola ou as rivalidades.

Tudo bem, temos que admitir que o nível dos jogos não está grande coisa. Com exceção de umas duas ou três partidas que empolgaram de verdade, o resto ficou naquele balaio de peladas que daqui a pouco não teremos lembrança alguma.

Deve ser por isso que outras coisas estão nas manchetes e nos debates sobre a Copa. É o tal do “cala boca Galvão”, as vuvuzelas, a Jabulani, os espalhafatos do Maradona, a namorada do Casillas... Tem besteira para todos os gostos. Mas nenhum assunto rendeu – e continua rendendo – tanto quanto a “briga” Dunga x Globo.

Depois do festival de gentilezas do treinador da Seleção contra um jornalista da emissora, ninguém mais discute se o Michel Bastos merece lugar no time ou se o Gilberto Silva erra passes de dois metros. Não. O negócio é defender um dos dois lados dessa briga de foice.

Dunga, até outro dia aclamado como a besta que só escala brucutus, passou a ser herói para boa parte da nação. E não tanto pelas vitórias do time, mas sim por supostamente encarar a Globo sem medo de retaliação. Dizem seus defensores: “Até que enfim alguém enfrenta o poder global”. E os bairristas ainda completam, de peito estufado: “Tinha que ser um gaúcho!”.

O resultado parcial dessa besteira toda é que de um lado Dunga não fala, enquanto a Globo, que ensaiou uma reação forte contra o técnico, faz de conta que o embate não existe. Agora, uma coisa é certa, podem anotar: temos dois cenários para assim que essa Copa terminar para a Seleção.

1) Brasil eliminado: Dunga será esculachado pela emissora por muito tempo. Terá marcado na paleta o rótulo de arrogante, intransigente e defensor de um exército de volantes que levou o time a um “fiasco” inesquecível. Lembrarão a falta que fez Ronaldinho, Ganso, Neymar...

2) Brasil campeão: Dunga será o gênio que enfrentou toda a desconfiança da torcida sob sua inexperiência e transformou uma Seleção desacreditada após 2006 no time guerreiro e vitorioso de 2010. Ele tinha razão ao barrar Ronaldinho, Ganso e Neymar.

Como diria o carioca Otto Glória, ex-técnico falecido em 1986 e que fez sucesso em Portugal, “quando o treinador perde é uma besta, quando vence é bestial”. Vejamos o que restará ao Dunga.

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10 de jun. de 2010

Coluna de Quinta: Ora, bolas!


Por Vinícius Peraça

Existem alguns períodos muito chatos pra quem gosta de futebol. Um deles, que precisamos aguentar todos os anos, é a parada entre dezembro e janeiro, quando terminam os campeonatos nacionais e só se pode especular quem vem ou vai pra onde. Mas a cada quatro anos a coisa piora. É a fase pré-Copa do Mundo. As semanas que antecedem o Mundial tornam-se irritantes pelo latifúndio de inutilidades a ser explorado pela imprensa. De comidas curiosas do país sede até coletivas vazias (em conteúdo), tudo vira pauta.

Porém, de uns tempos para cá, toda Copa traz junto uma “polêmica” em torno da qualidade da bola que será usada. Foi assim com a Fevernova (2002), com a Teamgeist (2006) e se repete a lenga-lenga agora com a Jabulani. A fabricante faz todo um carnaval dizendo que a bola é mais moderna, que não varia de peso quando molha e parará, mas não adianta. Já chegaram até a argumentar que a bola tinha ficado “mais redonda” em 2006.

Tem um detalhe interessante nessa choradeira dos jogadores por conta da bola: quase todos que apontam mil defeitos na Jabulani são patrocinados pela Nike, concorrente direta da Adidas (eterna fornecedora de material para a Fifa). E não é segredo que a empresa norte-americana já tentou de tudo para tirar os alemães da jogada e tomar o lugar de patrocinadora da Copa.

Foto: Pedro Fonseca/Reuters

O beijo do Kaká na Jabulani durante uma entrevista esta semana foi emblemático. Um dos poucos atletas da seleção brasileira patrocinado pela Adidas e astro da Copa, coube a ele o papel de advogado de defesa da marca diante dos ataques de Julio Cesar, Luís Fabiano e o resto do time. E fez bem.

Na real, toda essa polêmica é uma baita frescura para criar um factoide que renda discussões nas mesas-redondas repletas de bestas quadradas. Como a Copa não começou e os campeonatos estão parados, falar de quê se nem os treinos do time podem ser vistos no Quartel do Dunga?!

E outra: para o futebol do Felipe Melo, do Josué e do Gilberto Silva esta tal de Jabulani está mais do que boa. Mas se, mesmo assim, com esta bola cada vez “mais redonda” as reclamações continuarem, a Adidas poderia usar uma ideia que o Kiko, do seriado Chaves, já teve há muitos anos. Fabricar uma bola quadrada! “E zaz! E eu jogava, e eu chutava...”

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29 de abr. de 2010

Coluna de Quinta: Eu posso, eles não


Por Vinícius Peraça

Se eu disser que fiquei espantado com a quantidade de comentários no texto “Empossados novos membros do governo pinheirense”, publicado na quarta-feira passada, dia 21, estarei mentindo. Afinal de contas, de uns tempos para cá tudo que diz respeito à política ou administração municipal vira polêmica e gera reações fortes de todos os lados.

Mas, por outro lado, foi espantoso o conteúdo da maioria destes comentários. De modo geral, a impressão é que os comentaristas do blog não concordam com a inclusão de “estrangeiros” na administração da cidade. Se usarmos os comentários dos leitores do Eigatimaula! como uma amostra do pensamento local, veremos que o pinheirense não quer gente de fora trabalhando na cidade. Usam o argumento de que há gente qualificada na terrinha e que estes “forasteiros” estariam levando embora o dinheiro de Cacimbinhas. Interessante. É um ponto de vista.

Suponhamos que você tenha ótima formação, um currículo elogiável e seja indicado para uma vaga numa empresa em Caxias do Sul. Na hora da entrevista, tudo perfeito. Você é o melhor candidato ao emprego, segundo o entrevistador. Porém, quando toca o celular e você acha que é a confirmação da contratação, ocorre o inesperado. Nada feito. “Infelizmente o senhor é natural de Pinheiro Machado e não o queremos na nossa empresa”, diz o sujeito do outro lado da linha. Ou seja, o dono do emprego é outro candidato que não tem metade da sua qualificação, só que é caxiense. Isso seria justo?!

Esta pergunta deve ser feita porque se a resposta dos mesmos comentaristas do texto em questão for “não”, fica a impressão de que está valendo uma lógica curiosa. Algo do tipo “eu posso buscar oportunidades fora, mas gente de fora trabalhando aqui não é justo”.

Portanto, está havendo uma inversão de valores. A questão principal a ser discutida não é o local de nascimento do empregado de uma empresa ou funcionário público. O que vale é a competência para exercer a função, certo? A menos que o “forasteiro” se mostre incompetente e prove que é uma tartaruga no topo da árvore – não está lá por méritos, mas porque alguém o colocou – as críticas parecem exageradas.

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15 de abr. de 2010

Coluna de Quinta: Por incrível que pareça, ainda existem gibis


Por Vinícius Peraça

Dia desses fui à dentista e fui surpreendido na sala de espera. Em meio às surradas revistas de fofocas com manchetes do tipo “Mariah Rocha passeia com o filho e o namorado” – alguém sabe quem é essa cidadã?! – encontrei um artefato raro, quase uma relíquia nos dias de hoje: um gibi.

Para a gurizada mais nova, da era Ben 10, não se assustem. Gibi não é o nome de nenhum tipo de traça gigante que se alimenta de revistas de gosto duvidoso. Gibis são pequenas revistas de historias em quadrinhos, tão ligado? (É bom explicar, senão o pessoal pode querer mandar a vigilância sanitária no consultório da coitada da minha dentista...)

A surpresa ao encontrar uma revista do Chico Bento na sala de espera foi tão grande que fiquei surpreso com a minha surpresa! Ora, como pode alguém se admirar ao encontrar um gibi?! Depois de ler – ou melhor, devorar as historinhas –, comecei a pensar sobre o assunto enquanto a doutora furungava nos meus dentes com aquele motorzinho enjoado.

É engraçado como coisas importantes estão se perdendo com o tempo. Os gibis são parte essencial da minha alfabetização, da minha formação. Foi com pilhas deles que meu pai insistia em comprar todos os meses que aprendi a compreender textos, ligar ideias, raciocinar. Tenho certeza de que se não fossem as revistas em quadrinhos do Tio Patinhas e do Chico Bento hoje eu não seria um jornalista – não que isso seja grande coisa, também.

Mas o que acontece é que não me conformo com esse sumiço das revistinhas. Se não fosse a minha dentista deixar alguns gibis soltos ali por cima da mesa da sala de espera, provavelmente eu nunca mais tivesse me divertido com os planos infalíveis do Cebolinha para roubar o coelho da Mônica.

Provavelmente eu não chegue a lugar algum com esse manifesto em favor dos gibis. É praticamente impossível fazer a gurizada abandonar os desenhos japoneses na TV e o Orkut para ler quadrinhos. Triste isso, porque isso pode fazer falta em algum momento. Seja como divertimento como também por aprendizado.

Porém, se eles não querem ler gibis, minha vontade de rir com o Cascão só aumentou depois de encontrar um sobrevivente soterrado sob as Contigos assassinas do consultório da minha dentista. Tanto que já marquei com ela de extrair dois cisos. Um hoje, outro semana que vem. Assim fico duas vezes na sala de espera e consigo terminar de ler um Cebolinha e um Tio Patinhas que vi por lá na última consulta.

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18 de mar. de 2010

Coluna de Quinta: O diabo do Twitter

Por Vinícius Peraça

Não, não me refiro ao perfil do Capeta no Twitter. Se bem que até existe (@Diabo, @EuSatanas e outros tantos), assim como o de Deus (@OCriador) e o de Jesus (@Jesus_OFilho). Falo da desgraça que foi a invenção desta rede de mensagens limitadas a 140 míseras letras. Um inferno!

Já tentei virar um usuário como milhões de pessoas fazem e estão fazendo. Aliás, tentei por três vezes. Criei o perfil, apaguei. Recriei, deletei de novo. E, por fim, refiz outra vez meses atrás. Ainda não apaguei por pura preguiça e por acreditar que talvez um dia aprenda a lidar com essa coisa irritante de passar o dia contando aos seguidores (ou “followers”, para os mais nerds) coisas inúteis.

Sim, porque a imensa maioria dos twitteiros passa e repassa mensagens sem o menor cabimento. Coisas do tipo “estou arrumando o quarto” ou “fora Maroca!” são o mínimo.

E é incrível também como essa rede social fisgou tanta gente, conhecidos e desconhecidos. Gente que, aparentemente, tem muito mais a fazer da vida do que passar o dia twittando. O William Bonner (@realwbonner), por exemplo. O cara é o âncora do Jornal Nacional, o mais importante noticiário do país, e fica escrevendo mensagens entre uma matéria e outra que vai ao ar. Pedindo sugestão de qual gravata usar, contando que levou o carro à oficina e o escambau. Ah, peraí um pouquinho, tchê!

Por mais tempo que se passe em frente ao computador a trabalho ou lazer, não consigo entender isso. Até acho que o Twitter pode ser legal em alguns casos. Informações úteis podem ser transmitidas por ali. Um jornalista pode passar notícias rapidamente, em primeira mão. Um político prestar contas do seu trabalho. Um sujeito comum denunciar algo errado no seu bairro, sua cidade. Ou mesmo falar besteiras, piadas, porque não?!

O que não entra na minha cabeça é o pessoal passar o dia inteiro twittando. O cara está no meio de um compromisso de trabalho, tira o celular do bolso e, pimba!, posta uma mensagem contando alguma besteira. Acreditem, existe gente assim. Muita. Muita gente!

Por isso meu perfil no Twitter chega a ficar parado por semanas. Até que eu consiga entender qual o moral desse negócio e o porquê dos viciados nisso passarem o dia inteiro prestando contas de suas vidas, prefiro ficar de longe, só olhando e tentando compreender.

Podem me chamar de burro, ultrapassado ou desconectado do que acontece. E me prendam se um dia, entre uma cerveja e outra no Cruz de Malta ou na praça, eu tirar o celular do bolso para twittar!


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5 de fev. de 2010

Coluna de Quinta: Coisas que irritam na Feovelha

Excepcionalmente nesta sexta

Por Vinicius Peraça
Colunista do Blog

Tudo bem, a Feovelha foi um sucesso de público, as vendas foram excelentes, houve uma boa valorização dos animais e da lã e coisa e tal. Até mesmo os tradicionais temporais que costumam aparecer em toda edição da feira resolveram dar uma trégua este ano e só choveu na quinta-feira.

Mas como todo colunista é um chato que adora encontrar defeito nas coisas, uma ótima pedida é listar as quatro coisas mais irritantes da Feovelha. Aqueles pequenos detalhes (ou nem tão pequenos assim) que se repetem ano após ano e são reclamações constantes de muita gente. Vamos a eles:

1) Onde está a ovelha? Inacreditavelmente, o visitante que pretende levar para casa a carne de ovelha de Pinheiro Machado para fazer um churrasco sempre fica chupando dedo. Não há um único estande que venda o produto mais famoso da cidade.

2) Quedas de luz. Todo ano o parque fica às escuras por um bom tempo na primeira noite de Comparsa. Comerciantes perdem dinheiro, a Comparsa atrasa e o público fica irritado. Será que é tão difícil resolver esse problema?

3) Cerveja. É duro ter que optar só entre Kaiser ou Bavaria. É como escolher entre destroncar um dedo ou bater com o joelho na quina da mesa de centro.

4) Vai de barro ou poeira? É mais ou menos como a opção Kaiser/Bavária. Se chove o sujeito precisa ir de botas Sete Léguas, se o tempo é seco é preciso fechar a boca pra não comer terra. Já passou da hora de investir em algum tipo de pavimentação dentro do parque.


É claro que vai haver quem discorde dessa lista. Mas o mais importante é a discussão. Mesmo a Feovelha sendo um ótimo cartão de visitas da cidade, sempre é bom melhorar em alguns pontos que saltam aos olhos do visitante comum, aquele que não é ovinocultor. Quem não vai até o parque atrás de bons negócios procura basicamente entretenimento. E são alguns detalhes como estes que podem deixar uma boa ou má impressão em quem visita a feira e a cidade.

Aliás, o campo de comentários está aí. Quem quiser deixar sua sugestão e falar daquilo que irrita na Feovelha, essa é a hora.

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.

7 de jan. de 2010

Coluna de Quinta - Alguém acende a luz, por favor?

Por Vinicius Peraça
Colunista do Blog

Todo pinheirense já deve ter ouvido pelo menos uma vez e em tom de brincadeira a frase: “O último a sair, que apague a luz”. A provocação, em geral, refere-se à saída de muita gente do município para buscar melhores oportunidades de trabalho e estudo em cidades maiores.

Pois não sei se já está perto da hora do último cidadão cacimbinhense dobrar o trevo de Bagé ou Pelotas, mas a julgar pela falta de iluminação em algumas ruas da cidade, começo a me preocupar.

Em alguns quarteirões a escuridão é quase total. Além de existirem poucos postes com suporte para iluminação – muitos servem apenas para sustentar os cabos da rede elétrica –, boa parte destes está com as lâmpadas queimadas ou quebradas.


A foto acima, tirada na avenida Protásio Alves esquina Gervásio Tavares, dá uma mostra da penumbra. Com exceção dos dois heroicos pontos de luz que aparecem na imagem, o resto é preto total. As únicas luzes que aparecem nas calçadas surgem das janelas das casas. E é assim até a escola Dois de Maio, quando há outros raros postes acesos.

A iluminação deficiente repete-se por toda a Protásio Alves. Numa observação rápida, contabiliza-se pelo menos dez postes apagados. Isso sem contar o fato de que a avenida é larga e em quase toda sua extensão só há postes com lâmpadas em um lado da calçada. Dica: quem circular à noite por essa rua, leve sua lanterna. Sério.

Não sei de quem é a responsabilidade pela manutenção das lâmpadas. O que sei é que o município gasta um bom dinheiro para pagar à CEEE pela iluminação das ruas. Algo próximo a R$ 15 mil por mês. Pois se paga, tem o direito de cobrar pela qualidade do serviço. São vários locais com situação semelhante, e o cidadão tem o direito de circular numa cidade bem iluminada.

Pelo menos até que o último pinheirense resolva pegar a BR e apagar de vez a luz.

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.

7 de dez. de 2009

Coluna de Quinta - Derrota do Grêmio foi boa para o futebol

Excepcionalmente, nesta segunda-feira.

Por Vinicius Peraça

Colunista do Blog

Que me perdoem os moralistas, mas a derrota do Grêmio descaracterizado contra o Flamengo foi o melhor para o futebol.

A rivalidade é o tempero desse jogo, um dos grandes baratos dessa coisa apaixonante que faz até o mais racional dos cirurgiões virar uma criança descontrolada em uma arquibancada com um rádio colado ao ouvido. Que graça teria o seu time vencer se não houvesse um amigo torcedor do adversário para ouvir a flauta?

Não tenho dúvidas que o Grêmio não quis vencer o Flamengo. Da mesma forma que não tenho dúvidas que o vice-campeonato do Internacional é fruto da sua falta de competência para levantar taça, mesmo com um time milionário.

Quando o Tricolor deixa de ajudar o seu maior rival, dá esperanças de que o futebol continua com sua essência mantida, apesar de todo o falso moralismo que toma conta de alguns profissionais da mídia e das quatro linhas.

Se o Grêmio tivesse vencido o Flamengo e o Internacional conquistado o quarto título brasileiro graças a isso, seria a vitória do profissionalismo sobre a paixão. De um esporte cada vez mais sisudo e movido pelo dinheiro mundo afora. E futebol, amigos, é paixão. É irracionalidade. É xingar a mãe do juiz mesmo quando ele está coberto de razão ao anular um gol do seu time. É chamar de perna-de-pau o craque que segundos depois faz o gol da vitória. É acordar de mau humor na quinta-feira porque seu time foi goleado na quarta à noite.

Essa é a essência desse jogo. Dribles, gols e toda a emoção do futebol só estão impregnados em você, em mim e em milhões de pessoas no mundo porque a paixão nos move. Só esse sentimento é capaz de levar milhares de colorados ao Beira Rio e fazer o estádio tremer. E com um gol do Grêmio!

A derrota do Grêmio, intencional ou não, só fez bem a um jogo de rivalidades e, tomara que continue assim, movido pela nossa paixão.

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.

26 de nov. de 2009

Coluna de Quinta - O dilema dos gremistas

Por Vinicius Peraça
Colunista do Blog

Perder ou não perder? Eis a questão. Essa pergunta vem martelando a cabeça dos gremistas e dividindo a torcida em dois tipos: os que torcem pelo Grêmio e só, e os que torcem pelo Grêmio e principalmente contra o Inter.

Talvez ambos os lados tenham razão, porém é curioso ver esse tipo de comportamento. Isto é, a desgraça do outro é tão boa quanto o meu sucesso. Porque se não fosse esse pensamento (in)consciente da torcida tricolor, todos estariam gastando cobrando os dirigentes por um time competitivo para 2010. Mas o que se vê são gremistas no pátio do Olímpico cobrando dos jogadores por uma derrota contra o Flamengo, caso seja necessário para tirar o título do Inter na última rodada.

A recusa de Adilson Batista em treinar o Grêmio, a possibilidade de contratação do volante Edinho (ex-Inter), a possível venda de Réver, nada disso repercute com força na torcida. Todos só pensam em perder para o Flamengo. E assim, em 2010 o tricolor vai viver de secar o Inter.


Fiasco xavante

Que me perdoem os xavantes pinheirenses, mas que papelão do Brasil diante do Inter-B. Tomou 4 a 0 lá no Beira Rio e 1 a 0 na Baixada. Com direito a entradas desleais para tentar intimidar a gurizada colorada.

Mas ridículo mesmo foi o comportamento vindo das arquibancadas. Incentivo à hostilidade, pedras e sinalizadores jogados ao campo. Um fiasco. Ruim mesmo é perceber que este tipo de violência nos gramados do interior ainda existe. E há gente esclarecida que estimula isso e quando vai ao estádio age como se futebol fosse guerra. Por isso o futebol do interior não evolui.

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.

12 de nov. de 2009

Coluna de Quinta - Mário Sérgio está certo, mesmo errando

Por Vinicius Peraça
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Foto: Antônio Carlos Mafalda
A imprensa está mordida. Como pode um treinador declarar guerra aos jornalistas esportivos?! Abrir o jogo publicamente que enxerga qualquer microfone, câmera ou bloco de notas como um inimigo potencial foi uma afronta aos repórteres e comentaristas, tão cheios de si e inatacáveis.

Mário Sérgio, mesmo errando ao exagerar na dose, está certo. A mídia esportiva em geral vive criando fatos. E nenhum exemplo é melhor do que o Internacional. Se vence um jogo com um passe de D’Alessandro, vira o melhor time do Brasil e o camisa 10 colorado “o” craque que faz a diferença. Se perde, é o fiasco do ano, com jogadores caros e futebol medíocre. É assim que funciona nos jornais, rádios e TVs.

É essa falta de critério que incomoda. Quando o técnico do Inter afirma que os repórteres passam grande parte dos treinamentos de costas para o campo, batendo papo, não deve estar mentindo. Já vi isso em Pelotas, cobrindo treinos dos times locais. Então porquê exigir treinamentos abertos à imprensa?

Mas o que mais dá razão à fúria de Mário Sérgio contra a imprensa é o fato de a culpa pelo fracasso do Internacional não ser dele. Não foi o treinador que bateu na porta do presidente e garantiu o título nacional. A diretoria do clube foi buscar o profissional, sabendo de suas virtudes e defeitos. Pois então, se os resultados não são os melhores, o equívoco é de quem o contratou.


Cada vez mais perdido

O Grêmio só dá razão à minha teoria de o ano que vem está perdido. Depois de uma espera de quase 40 dias por um técnico que seria o coordenador de todo o futebol, desde a base até o profissional, ele deixa o clube antes de completar a temporada. Ele, desde o início das negociações, era visto como a esperança de organizar o time a partir de 2010.

E quem senta nas cadeiras estofadas das salas refrigeradas do Olímpico não faz a mínima ideia do que fazer do clube. Sem títulos, sem diretoria competente e, agora, sem um rumo para o time. 2010 vai ser longo...

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.

29 de out. de 2009

Coluna de Quinta - Gremistas, tirem férias em 2010

Por Vinicius Peraça
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Sugestão aos torcedores do Tricolor: voltem a se preocupar com o time somente em 2011. Aproveitem o ano que vem para se ocupar apenas com a Copa do Mundo e deixem as agruras de torcer por um título gremista para depois. É o melhor a fazer.

Afinal de contas, alguém acha que vale a pena sofrer no Brasileirão por um time que tem no comando dirigentes que não entendem um pataco de futebol? Marcelinho Paraíba, 13 gols. Paulo Baier, sete gols e quatro assistências. Gilberto, destaque na reação do Cruzeiro no segundo turno. Os três recusados pelo Grêmio. Precisa dizer mais?!

Por isso, esqueçam o Grêmio durante 12 meses a partir de janeiro. Voltem a torcer em 2011, com uma nova diretoria que talvez saiba organizar minimamente o clube e respeitar a inteligência dos torcedores e sócios. Tirem férias do Tricolor em 2010. Sério.


Eternamente favorito?

Há pelo menos quatro Brasileirões o Inter é o favorito e não confirma. Não contemos 2005, quando não entrou como favorito mas perdeu para o Corinthians em meio a todo o rolo do Zveiter.

Desde 2006 o clube é apontado como a melhor equipe do Brasileirão, o mais estruturado, o melhor elenco. Mas na hora do vamos ver, patina e fica para trás. Ontem, contra o São Paulo, ficou clara a diferença entre os dois times: todos os jogadores do time paulista vibrantes, encarando o jogo como final; os gaúchos, embora esforçados, apagaram diante da disposição do adversário.

No seu centenário o Inter corre o risco de, ao invés de encerrar o ano com um título importante, acabar 2009 como a maior fila dentre os grandes do futebol brasileiro. Basta que o Atlético-MG do Celso Roth fique com a taça. Só o Galo, campeão em 1971, espera há mais tempo que o Colorado, campeão em 1979, para ganhar novamente o Campeonato Brasileiro.


Dunga chama Hulk e nega Amauri

Parece ser uma regra que todo técnico de Seleção seja teimoso e contrarie o óbvio. Enquanto o centroavante Amauri chama a atenção do mundo inteiro pelo oportunismo, Dunga se nega a convocá-lo. Mas chama Hulk, do Porto. Mas para quem já apostou fichas em Afonso Alves...

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8 de out. de 2009

Coluna de Quinta - Sobre Olimpíadas e radicalismos

Por Vinicius Peraça
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É uma discussão sem fim. Afinal de contas, é uma boa notícia ou não a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos em 2016? Independentemente das opiniões pessoais, o que irrita é o radicalismo de quem apoia ou condena a realização do evento no Brasil.

Os radicais pró-Olimpíada estufam o peito para dizer que haverá uma mudança no país, especialmente no Rio. Citam o exemplo de Barcelona, que após os jogos ficou com a herança de uma cidade moderna e bem estruturada. Só esquecem de falar que até agora o único exemplo de uma edição olímpica em que o dinheiro empregado gerou um legado indiscutível foi esta, em 1992. Pequim, sede da última edição da Olimpíada, é mais um caso de mau uso dos jogos para a sociedade. O belo Ninho de Pássaro só serve para fotografias. Quase nenhuma competição é sediada no estádio pouco mais de um ano após as disputas na China. Já Atenas até hoje paga pelas obras para a Olimpíada de 2004.

Enquanto isso, os xiitas contrários a Rio 2016 usam como argumento os gastos. “Porque não usam todos estes bilhões para construir hospitais?”, questionam. Citam também a farra dos superfaturamentos do Pan e dos elefantes brancos que restaram no Rio de Janeiro. Mas nem tocam no mérito brasileiro por ser o único país até hoje na América do Sul a conquistar o direito de sediar o maior evento esportivo do mundo. Aliás, em todo o hemisfério sul apenas a Austrália já havia promovido uma Olimpíada. Além disso, o esporte é sabidamente uma fonte inesgotável de lucro graças à paixão que gera. Não há lugar no mundo em que não se assista uma competição esportiva e quase todas as grandes empresas investem direta ou indiretamente no esporte. Ou seja, o Brasil estará na vitrine e atrairá as atenções e investimentos do mundo durante os próximos anos. O que tende a se refletir na economia e na sociedade de alguma forma.

Ou seja, a Olimpíada no Brasil é um fato. Não há como voltar no tempo e trocar o nome da cidade no envelope do Comitê Olímpico Internacional, os jogos irão ocorrer. E têm tudo para ser bons para o país. Da mesma forma que podem se tornar um fardo a ser carregado por muitos anos. É preciso que se abandone o radicalismo, o oito ou oitenta. De nada adianta botar na cabeça o pensamento que “vai ser uma roubalheira, não tem jeito”. Temos que ter consciência de que os Jogos Olímpicos Rio 2016 são um grande evento e que podem render bons frutos para a sociedade. Só não podemos jogar a expectativa de uma solução para todos os problemas do país, assim como eles não podem ser os culpados por todas as desgraças e pela corrupção.

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24 de set. de 2009

Coluna de Quinta - A polêmica pela polêmica

Por Vinicius Peraça
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É o tema da moda. Pelo menos nos veículos da RBS. A tal professora que mandou o aluno pintar a parede da escola que havia pichado, em Viamão. Matérias especiais nos jornais impressos, discussões nos canais de TV, debates nas rádios. E como consequência dessa overdose, as pessoas gastam horas e horas falando apaixonadamente sobre o caso. Quanta perda de tempo.

Isso tudo é uma bobagem. Independentemente de defender a professora que “abusou do poder” ou a família do aluno que “foi humilhado”, todos tornam-se idiotas e hipócritas ao fazer isso.

Ninguém dá a mínima para os professores que aguentam alunos mal educados durante uma vida inteira de magistério. Ninguém fica criando polêmica. Pelo contrário. Muita gente conta com orgulho das peripécias dos tempos de escola, dos desrespeitos aos mestres e das vezes em que foi expulso da sala de aula ou até mesmo do colégio. É como se fosse algo natural, todo mundo dá risada. As histórias vão sendo passadas de pai para filho, de filho para neto.

Ao invés de julgar quem está certo ou errado nessa história e ficar gastando saliva bancando o advogado de algum dos envolvidos, seria muito mais útil cada um cuidar do seu. Certamente há muitos pais questionando a postura da professora, mas que sequer sabem como é o comportamento dos filhos na escola. Quando muito perguntam as notas. Passou, filho? Ah, então está ótimo.

Assim como há muitos professores que vão para as salas de aula apenas pelo salário do final do mês e dão aulas medíocres. E também devem estar criticando a educação que os pais dão às crianças e jovens em casa. Copiem isso, a prova é na semana que vem!

No fundo somos todos imbecis. Perdemos tempo debatendo a vida dos outros por causa de uma polêmica midiática, que daqui a uma semana ninguém vai lembrar. É a polêmica simplesmente pela polêmica. Quer prova maior de estupidez que gastar meia hora escrevendo uma coluna criticando os críticos? Pois é. Eu me presto, mesmo...

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3 de set. de 2009

Coluna de Quinta - E quem não tem playstation?

Por Vinicius Peraça
Colunista do Blog

Houve um tempo não muito distante – até porque não sou velho – em que existiam várias opções para praticar esportes em Pinheiro. Hoje a coisa é diferente. Os espaços públicos abertos são raros e, em geral, a conservação é ruim.

Na última vez em que estive na pracinha próxima ao cemitério, fiquei com a impressão de que ela está no lugar certo. Se fosse gente, estaria desenganada, abandonada, esperando a morte. Única quadra pública aberta, é feita de placas de cimento desniveladas e as marcações no chão praticamente sumiram. As tabelas de basquete resumiam-se a tábuas destruídas pelo tempo.

E o tal do módulo, ao lado do ginásio. Antigamente comportava uma quadra de tênis.Por ser pouco usada, deu lugar ao que é hoje. O problema é: alguém sabe o que é aquilo? A pista de skate é bizarra. Nem um fenômeno nas rodinhas conseguiria fazer manobras naquele espaço. E aquele cercado com terra? Afinal, é uma quadra de futsal, de vôlei, de taco, de bulita?! Simplesmente atiraram uma terra grossa lá para dentro e pronto. Coisa de jerico.

E para encerrar, o ginásio municipal. Na contramão da obviedade, fica fechado durante todo o sábado e o domingo. Justamente os dias tradicionais para jogar uma bolinha. Quem não pode praticar esportes durante a semana por trabalhar ou qualquer outro motivo, não pode jogar no fim de semana nem que queira pagar para isso. Acho que não seria absurdo vender os horários durante a semana e algum funcionário abrir o ginásio aos sábados e domingos. Ou seria?

Quer jogar futebol, vôlei ou basquete em Pinheiro? Junte uma gurizada e vá para a frente do videogame. Ou então espere sentado até que esse descaso termine.

O jornalista pinheirense Vinicius Peraça escreve a seção Coluna de Quinta, onde fala sobre assuntos de Pinheiro Machado. Mas também pode produzir outros textos. Sempre, é claro, às quintas-feiras.